O ano de 1956 marcou o início da indústria automobilística brasileira, principalmente com esforços do presidente Juscelino Kubitschek, e também foi o ponto de partida de uma história de excelência: a fundação da Olimpic.
Em 16 de junho de 1956, Juscelino Kubitschek criou o GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) que regulamentou a produção brasileira e, com isso, as montadoras estrangeiras nacionalizaram a produção. Foi o início de uma história repleta de projetos ousados que marcaram época, como a Romi-Isetta.
Pouco mais de um mês depois, em 26 de julho de 1956, a Olimpic nascia para garantir a longevidade da frota que, aos poucos, aumentava e estava em constante renovação.
Para celebrar os 70 anos de estrada da Olimpic, vamos mostrar que o ano de 1956 foi um divisor na história automotiva com 7 carros incríveis e inesquecíveis.
A centelha inicial da Olimpic
A história da Olimpic tem início em 1919, com a vinda das famílias de Julio e Vilius Rechenbergas e de Miguel Radzevicius, que chegavam ao Brasil e se estabeleceram em São Paulo, cidade onde a industrialização acontecia em ritmo acelerado. Com a ajuda de amigos e suas economias, fundaram a Radzevicius & Cia.
Em 1942, a empresa sentiu os efeitos da Segunda Guerra Mundial e, para atender a Ford do Brasil, foi necessário nacionalizar a produção da tampa do distribuidor e do rotor do distribuidor.
Esses foram os primeiros produtos que deram origem à linha de reposição automotiva. O trabalho intenso e o sucesso das peças, resultaram no nascimento da Olimpic Indústria de Auto Peças Ltda., em 26 de julho de 1956.
Atualmente a Olimpic possui mais de 600 peças voltadas para os sistemas de ignição e elétrica, para carros clássicos, novos e híbridos, mantendo-se moderna e entregando qualidade.
7 momentos que marcaram o ano de 1956
Atualmente as ruas estão repletas de modelos fabricados no Brasil e muitos lares possuem até mais de um veículo, o que não era comum nos anos 50. O mercado começou a se popularizar aos poucos e o maior aumento foi acontecer apenas na década de 1990.
Mas, segundo O Globo, os esforços para motorizar e baratear o custo do veículo começaram no segundo governo de Getúlio Vargas, que restringiu a importação de carros prontos e criou mecanismos para atrair fábricas para o país. E, após a posse de Juscelino Kubitschek e seus incentivos, tivemos o primeiro carro produzido em série no Brasil.
1. Romi-Isetta
A Romi-Isetta foi o primeiro carro a ser produzido no Brasil e foi lançado em 5 de setembro de 1956 com um visual bem diferente: Sua porta frontal, seu tamanho e quatro rodas que, em algumas situações, poderiam parecer 3. Esse compacto simbolizava a audácia da indústria.
Foi a primeira tentativa de um carro popular e tinha capacidade apenas para duas pessoas, sendo conhecido também como o segundo carro da família, principalmente para esposas ou para solteiros. O casal de atores Eva Wilma e John Herbert participou de campanhas publicitárias do carro.
2. DKW-Vemag
Ainda em 1956, no mês de novembro, uma união entre a DKW (era a sigla de Dampf Kraft Wagen ou carro movido a vapor) e a Vemag começava a montar a perua DKW Universal (que mais tarde daria origem à famosa Belcar e Vemaguet).
A DKW-Vemag Universal tinha duas portas, mais a de carga traseira, e transportava de quatro a cinco pessoas. Possuía um motor dois tempos e tração dianteira. Era constituído de 54% de componentes nacionais e o restante de peças alemãs.
E também era vendido como um carro familiar e, para os moldes atuais, é um veículo lento, afinal não ultrapassava 110 KM/h e demorava 47 segundos para ir de 0 a 100 km/h. Outro problema eram as portas que abriram no sentido oposto e, caso abrissem com o carro em movimento, eram praticamente impossíveis de fechar.
3. Nacionalização da Volkswagen Kombi
Embora a Kombi já rodasse por aqui via importação, o ano de 1956 foi a transição para a produção nacional pela Volkswagen do Brasil. A Kombi é um marco na história do país, e até o final de sua produção, foi o veículo de carga que ajudou a construir as cidades brasileiras, transportar passageiros, crianças e até mesmo se tornava restaurantes, o que atualmente é desempenhado pelos Food Trucks.
A Kombi nacional só saiu de fábrica em 1957 e ainda era produzida com peças importadas, mas marcou a inauguração da fábrica em solo nacional, na cidade de São Bernardo do Campo/SP.
4. Renault Dauphine
O elegante e compacto Renault Dauphine foi lançado globalmente em 1956 e chegou no mesmo ano ao Brasil em 1959, via Willys-Overland, uma empresa que já fabricava o Rural Willys e o Jeep Willys e apostou no Dauphine para ser seu primeiro carro de passeio.
Após aprovado pelo GEIA, a fábrica da Willys-Overland recebeu um investimento de doze milhões de dólares em ampliação e equipamentos. Em 12 de novembro de 1959, os primeiros modelos produzidos foram apresentados e vendidos por 499 mil cruzeiros.
O Renault Dauphine possuía motor de quatro cilindros, 845 centímetros cúbicos de cilindrada e potência de 26,5cv e o consumo ficava entre 14,5 e 17 Km/L. Ele se popularizou rapidamente pelo preço, pela leveza ao dirigir e pela beleza.
Porém, ele não estava preparado para as estradas brasileiras e recebeu apelidos como Aerocapotable ou Leite Glória, devido à propaganda do leite em pó que tinha o slogan “Desmancha sem bater”.
Após mudanças, ele foi rebatizado nos anos 60 como Gordini.
5. Volvo Amazon (P120)
O Volvo Amazon não foi um veículo de ampla presença no Brasil, cuja marca ainda hoje é mais reconhecida pelos ônibus e caminhões, mas seu lançamento foi um marco para o mundo todo.
Lançado em 1956, o Volvo Amazon foi o primeiro veículo com o cinto de segurança de três pontos como item de série, além de para-brisa laminado e painel acolchoado. Seu nome homenageava a mitologia Grega.
O modelo, conhecido por ser robusto, atingia velocidade máxima de cerca de 145 km/h, usava um motor com potência que podia variar de 75 cv até 90 cv, nos modelos 122 S.
6. O carro mais bonito do Brasil
O fazer artesanal também tinha espaço no mundo automotivo em 1956. Enquanto o Romi-Isetta era produzido em série no Rio de Janeiro, a oficina de Thomas Woerdenbag, localizada na Rua do Senado, mostrava ao mundo o Packard Woerdenbag.
Seu design elegante fez com que ele aparecesse em diversas capas de revistas da época, até que um dia, nunca mais foi visto. O paradeiro do Packard Woerdenbag foi descoberto na década de 2010 e foi exibido no Village Classic Cars, um evento que aconteceu em 2024 e exibiu o carro no estado, sem modificações ou restauros.
Segundo o site Lexicar, ele foi equipado com:
“Motor Packard, também de oito cilindros em linha, com quatro carburadores, e uma caixa de câmbio Jaguar. Grande parte dos órgãos mecânicos foi projetada e montada por ele próprio, com peças do mercado ou fabricadas em sua oficina. Foram de sua concepção desde a carcaça fundida para união entre motor, embreagem e câmbio aos tambores de freios de alumínio, às rodas raiadas e à suspensão dianteira independente, com molas helicoidais envolvendo os amortecedores, ao estilo McPherson”.
7. Chevrolet Bel Air (Modelo 1956)
Mesmo que você seja jovem, com certeza já viu um Chevrolet Bel Air em algum filme, série ou novela que retrata a década de 1950. Embora o Bel Air tenha nascido antes, a versão de 1956 é considerada o ápice do design “Tri-Five” da Chevy.
O modelo possui diversas versões: Carrocerias cupê, conversível, quatro portas com coluna ou sem, perua Station Wagon, Nomad com duas portas, além de variações no motor, seis cilindros ou oito cilindros em “V” com potência em cavalos variada.
Com suas barbatanas discretas e pintura saia-e-blusa, o Bel Air dominava as ruas e influenciava o sonho de consumo dos brasileiros. Conforme o site Retrô Auto, no capô havia um mascote de avião, desenhado por Carl Renner, que trabalhava na Disney.
A versão sedan tinha quase 5 metros de comprimento, 2,92 m entre-eixos, 1,88m de largura e 1,54m de altura. O motor seis cilindros em linha tinha 145 cavalos e o V8 de 162 a 180 cavalos e outra versão com 170cv e consumo de 5,8 km/l.
Havia também versões mais potentes, 14 cores de escolha, 23 combinações de duas cores e acabamentos diferentes: One Fifty, Two Ten e Bel Air.
Desde 1956 o setor automotivo mudou muito no mundo inteiro e no Brasil, a Olimpic segue produzindo peças para atender, década após década, um mercado que exige performance perfeita.
Chegar aos 70 anos é um marco que compartilhamos com cada entusiasta, mecânico e motorista que confia na nossa marca. Que venham os próximos quilômetros, sempre com a mesma energia que nos move desde 1956.


