Carro híbrido não precisa de manutenção no motor a combustão?

Sim, o carro híbrido precisa de manutenção no motor a combustão e, muitas vezes, de mais atenção do que um carro convencional.

A expansão da frota híbrida causa um efeito dominó no mercado automotivo, afinal surgem novas demandas, como peças de reposição e capacitação para atender melhor cada cliente. Mas, com isso, também surgem os mitos sobre o motor à combustão.

Um deles, e bem perigoso, é a ideia de que o motor à combustão precisa de menos manutenção ou revisões porque tem menos carga que um carro convencional. 

Para mecânicos, aceitar essa suposição sem questionar é abrir margem para diagnósticos falhos, volta à oficina e perda de credibilidade com o cliente. Por isso, é importante se atualizar e saber que o trabalho do motor em um veículo híbrido é bem diferente do ponto de vista térmico e químico. 

Por que o motor a combustão do carro híbrido merece mais atenção?

Segundo o site Mobilidade Estadão, em alguns modelos híbridos, o motor a combustível pode ser menos utilizado, então, funcionando em baixas temperaturas, o que pode ser crítico para o lubrificante utilizado. Esse problema é acentuado caso o veículo seja plug-in, além disso, as diferenças também se apresentam em:

  • Partidas frequentes ou ciclo start-stop severo: A parte elétrica inicia o deslocamento, porém, ao acelerar cada vez mais, o motor a combustão é acionado instantaneamente em alto torque e frio.
  • Motor liga e desliga com mais frequência: Conforme site Portal Frete Urbano, com o motor em ciclos rápidos em curto percurso, ele aquece e resfria, gerando choques térmicos dos componentes na câmara de combustão.
  • A degradação do combustível: Em híbridos PHEV que rodam em modo elétrico, predominantemente, o combustível pode ficar parado por semanas no reservatório, formando borra, vernizes e depósitos que, com o tempo, entope as peças.

O que verificar na revisão preventiva?

Ao receber um veículo híbrido para a revisão preventiva, a manutenção não deve ser baseada apenas pelo hodômetro e, além disso, são necessários instrumentos próprios para o diagnóstico.

Fique alerta, principalmente ao tempo de uso e pelo estado físico das peças, pois somente a quilometragem não é capaz de dar uma real visão de todo o problema.

  • Bobinas de ignição e cabos de vela: O ato de ligar e desligar constantemente o motor gera picos de tensão frequentes no sistema primário e secundário de ignição.
    Esse ciclo contínuo degrada o isolamento dielétrico da bobina, provocando fuga de corrente e falhas de centelha. Não esqueça de inspecionar trincas no corpo de resina epóxi, marcas de carbonização no conector e meça a resistência primária e secundária. Na substituição, utilize bobinas projetadas para resistir a variações extremas de temperatura.
  • Bicos injetores: Combustível parado no tanque perde componentes voláteis e acumula resíduos sólidos. Quando o motor entra em ação repentinamente, os bicos injetores precisam pulverizar com precisão milimétrica.
    Quando há obstrução parcial dos bicos, não há padrão e ocorre gotejamento. Teste a vazão, vedação e como está o leque. 
  • Sensores de rotação e fase: A transição entre o motor elétrico e o térmico precisa ocorrer em fração de segundo, sem solavancos para o condutor, e, quando os sensores estão contaminados ou com variação de sinal por aquecimento, causam atraso na partida, travamento do sistema ou mensagens de erro no painel. Para evitar paradas, analise o sinal de onda via osciloscópio durante as partidas sucessivas acionadas pela ECU.

Mesmo com as baterias elétricas, o motor a combustão continua como um motor tradicional, que exige centelha forte, injeção precisa e leitura de sensores. Ao negligenciar a sua manutenção, você compromete um dos motivos pelos quais o seu cliente o comprou: a economia de combustível e a baixa emissão de poluentes.

Para garantir que a oficina entregue máxima confiabilidade nas revisões preventivas, aplique componentes de ignição e injeção eletrônica com selo de qualidade Olimpic, desenvolvidos para suportar as exigências térmicas e necessidades da frota nacional de todas as épocas.