Um ano após o nascimento da Olimpic, no dia 2 de setembro de 1957, um dos carros mais versáteis para o brasileiro começava a ser montado na fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo, a Kombi.
A Kombinationsfahrzeug (em alemão, “veículo combinado”), também conhecida como Volkswagen Transporter ou Typ 2 (o 1 era o Fusca), ganhou o nome de Kombi no Brasil e se tornou um símbolo cultural, servindo de transporte e independência financeira de muitas pessoas.
E, para a Olimpic, a Kombi tem um significado especial, afinal acompanhamos toda a trajetória desse utilitário no Brasil, fornecendo peças que garantiram que histórias fossem escritas. Por isso, hoje contamos um pouco dela em nosso blog.
Continue a leitura e descubra mais sobre a Kombi.
Da prancheta até as estradas brasileiras
A ideia da Kombi nasceu no final da década de 1940, quando o importador holandês Ben Pon desenhou o rascunho de um veículo comercial baseado na plataforma do Fusca e, segundo o site do Grupo Vitorito, após dois anos, a fabricação começou. E em 1947 a fabricação começou na Alemanha.
Sua carroceria era em monobloco, motor de 1.1 localizado na parte traseira, refrigerado a ar, com 25cv de potência e, na época, a Kombi foi uma inovação, por esses motivos citados e também pela posição do motorista, destacado na dianteira do veículo.
Ainda conforme o site citado, ela chegou às estradas europeias em 1950 com dois modelos, a Kastenwagen, com bancos removíveis, e microbus, com bancos fixos, e, mais tarde, na mesma década, a picape.
A Kombi no Brasil
O utilitário chegou ao Brasil, primeiramente em 1953, montado no regime CKD (Completely Knocked Down), ou seja, ele chegava totalmente desmontado ao Brasil, e a montagem, soldagem e pintura eram realizadas na fábrica. Mas, em 1957, era fabricada inteiramente no Brasil, por isso, esse ano ficou marcado nas comemorações nacionais do veículo.
Esses primeiros modelos possuíam o motor 1200 a ar e foram aprimorados com o passar dos anos e novos modelos, adequando-se à indústria e às legislações brasileiras. Entre os modelos mais marcantes, a Kombi teve:
- 1957 – A Vovó (Corujinha / T1): Conhecida pelo para-brisa dividido, lembrando óculos ou grandes olhos, faróis redondos e porta lateral saliente.
- 1975 – A Era Clipper : Para-brisa único e maior espaço interno, com atualização para o motor 1500 e, depois, o 1600.
- 1997 – Injeção eletrônica e teto elevado: Abertura para a injeção multiponto e fim do carburador, trazendo mais eficiência.
- 2005 – A transição para o motor a água: O motor a ar deu lugar ao motor 1.4 Flex refrigerado a água (conhecido pela grade dianteira radiadora), cumprindo as normas de emissões.
- 2013 – Last Edition: O fim da produção nacional devido às exigências de freios ABS e airbags frontais obrigatórios.
Kombi, um veículo que construiu o Brasil
Do seu surgimento até os dias de hoje, mesmo com a produção encerrada em 2013, a Kombi sempre foi versátil, com um valor mais em conta e mecânica simples, como o motor resfriado a ar, ele não fervia e suas peças são fáceis de ser encontradas.
E ela chegou em um momento muito importante para o país: Brasília estava sendo construída, muita gente estava se mudando para trabalhar ou habitar o local e até mesmo utilizavam o veículo para carga. Fazendo jus ao nome original (veículo combinado), a Kombi servia como instrumento de trabalho de segunda a sábado e, no domingo, recebia bancos extras para levar a família inteira à praia, ao futebol ou ao interior. Essa versatilidade é citada no site UOL como uma das vantagens que a Volkswagen utilizava como propaganda:
“A grande sacada, que inclusive a Volkswagen explorou bastante, era que a Kombi era um veículo de trabalho que se tornava um carro de passeio só colocando os bancos. Essa versatilidade é uma das marcas registradas dela”
Antes de sua fabricação nacional em 1957, ter um utilitário próprio era um luxo restrito a grandes empresas. Com a chegada da Kombi, ocorreu a democratização do transporte de carga e pessoas, transformando a rotina do trabalhador brasileiro em cinco frentes principais:
O utilitário tornou-se a primeira loja sobre rodas do país: Feirantes, padeiros, quitandeiros e vendedores ambulantes ganharam a capacidade de levar mercadorias diretamente aos bairros. Ela eliminou a dependência de intermediários para o frete, permitindo que pequenos comerciantes operassem com margens de lucro maiores.
Durante a rápida urbanização das grandes cidades, o transporte público não chegou a tempo para acompanhar o crescimento das periferias e a kombi deu origem às lotações, garantindo que trabalhadores e estudantes chegassem ao centro da cidade para chegarem aos postos de trabalho e escolas diariamente.
Já os trabalhadores que tinham como função prestar serviços, como pedreiros, pintores, eletricistas e encanadores, o veículo funcionava como oficina móvel e almoxarifado, afinal a capacidade de carregar até uma tonelada de cimento, tijolos e ferramentas permitiu o deslocamento rápido e eficiente pelas estradas.
Com tantas funções, ao unir baixo custo, alta capacidade de carga e mecânica acessível, a kombi deixou de ser um simples meio de transporte para se tornar um símbolo de emancipação financeira de trabalhadores autônomos no Brasil e construiu memórias para quem passava seus dias em seus bancos.
Mesmo com a produção da Kombi encerrada em 2013, seu legado continua nas estradas, em encontros de carros antigos e em garagens de colecionadores pelo mundo. E, para manter esse ícone vivo, a Olimpic possui peças de reposição que prolongam a longevidade de um ícone que sempre estará presente em nossa história.


